23 junho 2016

TÍTULO: NEGAR, NEGAR E NEGAR DE NOVO.

Luto. É assim que me sinto. Vivendo uma dor antes da perda. Olho minha mãe e sofro com antecedência. Sinto-me encolhida com o medo de enfrentar tudo isso sozinha. 

É preciso passar por este luto para poder aceitar no final. Mas estou muito longe disso.

Para quem não sabe, ainda, o Luto tem 5 fases: Negação, Raiva, Negociação, Depressão e finalmente, a Aceitação.

Negação- É o momento que levamos um choque com uma perda definitiva, seja ela qual for, um ente querido que morre, quando se perde o emprego, ou outro acontecimento inesperado. É como se fossemos nos despedir para sempre, forçadamente. Não conseguimos acreditar no que está acontecendo e, a dor é tão grande, que negamos. "Isso não é real". " "Deve ter algum engano".

Raiva: Muito difícil de descrever, a raiva chega logo depois da etapa da negação. "Como foi acontecer isso comigo? Palavras e ações de raiva, inveja, revolta e ressentimento aparecem. Todos em nossa volta são culpados, projetamos esses sentimentos nos amigos, familiares e em Deus.   



Negociação: Quando essa etapa surge, as negociações, geralmente ocorrem com Deus, em forma de promessas. É um tipo de acordo para que a realidade não ocorro e que tudo volte a ser como era antes.  
Depressão: trata-se de um sofrimento profundo, quando se percebe que a perda é real e inevitável. Existe um vazio na alma e a necessidade de se isolar do mundo.
Aceitação: Com as emoções mais calmas e com serenidade, chega-se a aceitação, fechando o ciclo. O vazio que antes existia, é preenchido e a pessoa começa a enxergar as limitações e a enfrentar as dificuldades. Existe esperança. 

Isso não ocorre linearmente, as 5 etapas do luto poder ocorrer de maneiras diferentes e algumas etapas nem acontecem. Depende muito da estrutura do indivíduo.
No meu caso, a negação durou mais de um ano. Não aceitei a doença e me negava a enxergar o que estava acontecendo. Tudo isso misturado com muita raiva. Durante esse trajeto, final de 2014 e todo o ano de 2015, de senti medo, raiva, neguei e negociei com Deus. Não entrei na depressão e, por esse motivo, tive forças para seguir em frente. Não afirmo e ainda nem tenho certeza se estou na fase da aceitação. Muitas coisas estão acontecendo. E quando percebo, uma mistura de fases se apresentam, a raiva ainda se faz presente.

Fontes:
Processos de perda e luto possui cinco fases - por Thais Petroff
Psicologia Free por Jorge Elói
Mundo da Psicologia por 

TÍTULO: 02 DE DEZEMBRO DE 2014

Cheguei em casa com minha mãe, por volta das 13 horas. Estava sem chão. Queria chorar, mas disfarçava, prendia o choro e sorria. A levei ao banheiro e troquei sua roupa. A coloquei na cama e fui a cozinha preparar algo para almoçarmos. Não parava de pensar no que a Dra. tinha me dito na consulta de hoje. ALZHEIMER. Minha mãe está com Alzheimer, no mínimo há dois anos. Meu Deus! E agora?
Procurei entender todos os sinais e comecei a juntar as pecinhas. Como não consegui enxergar isso antes? A culpa chegou e bateu de frente, doeu. Afinal sou formada em Psicologia e não percebi nada. Ou melhor, acreditei que esses pequenos sinais era da idade. Afinal de contas. mamãe está com 87 anos. Neguei. Neguei e neguei de novo. Era muita dor no peito querendo arrebentar e, agora não podia. Tinha que fazer o almoço e dar de comer a pessoa que mais amo na vida.
O Alzheimer não iria me vencer. Não hoje, pelo menos.

Quero guardar todos os beijos
que você puder me dar.
Deixar-los bem escondidinhos
na memória do coração.
Não quero esquecer o sabor
deste teu carinho.
Encostar meu rosto no seu
e secar suas lágrimas.
mesmo sem conseguir entender
o que te deixa tão triste.



Na verdade a levei em outros 4 médicos antes de chegar a esse diagnóstico, incluindo um Neurologista, que acabou prescrevendo um remédio que a deixou muito lenta, babando, sem aquela luz nos olhos, com muita dificuldade de se alimentar e só querendo dormir.
Falei com ele sobre esses sintomas depois de 4 dias medicada. Era para dar continuidade ao tratamento. Mas, sinceramente, não queria ver minha mãe assim. Não sabia ainda que estava acontecendo e ele a medicou para que pudesse ter um pouco de tranquilidade na hora de dormir. Mas, ela dormia o dia todo. Como é possível isso? Joguei fora o remédio e parti para uma segunda opinião, terceira, quarta.....

Nos culpamos ao perceber que todos aqueles sintomas são na verdade o início de uma demência. Confundimos esses sinais como coisa da idade, caduquice, esquisitice ou envelhecimento normal esperado. Não paramos para avaliar o que está acontecendo, afinal de contas, qual o problema de pessoa repetir sempre a mesma história? Ou ainda, esquecer palavras ou confundir-se com o nome de objetos? Quem nunca conversou com a televisão? Ou esqueceu a onde guardou o controle da TV? Ou até mesmo se perdeu na rua? Ver esses sinais como natural da idade é mais comum do que se pensa. Muitos levam um ano, dois ou cinco anos para se ter um diagnóstico chegado e, quando isso acontece, o chão se abre. Questionar o médico, buscar outra opinião é valido, mas, enfrentar esse diagnóstico que se repete é muito difícil. O que fazer diante dessa situação? Buscar informações. Procurar entender o processo neuro degenerativo que se instalou no nosso familiar e buscar uma rede de apoio. Mas, devo salientar que, antes de tudo isso, aceitar a doença. Entender que nada irá acontecer de um dia para outro. Ou seja, seu familiar não irá acordar no dia seguinte sem saber quem é ou quem é você. Isso será progressivo, podendo durar anos. Aceitar e entender a doença. Saber que uma nova história está sendo escrita no dia a dia e, conhecer os desafios para poder se preparar.

Saímos do consultório sabendo que nada será igual ao dia de ontem.