Títulos: Outros aniversários
Não somos muito de vida social, até porque, quem cuida, não tem vida social.
Então, antes mesmo da doença ser diagnosticada, saímos pouco e, onde eu fosse, a levava. Sempre fomos muito apegadas. Sempre falamos muito e trocávamos muitas idéias, cada uma defendendo uma posição. Mas, os aniversários, em sua maioria, comemorávamos em casa, com alguns amigos. Tenho registrado quase todos os anos, pois nessa época, o canal do Youtube nem existia e, também, não tínhamos a tecnologia de hoje.Hoje tudo é mais fácil, pega o celular e pronto.
Fotos de 2012:
Fotos de 2013:
Fotos de 2014:
Contada pela filha que cuidou de sua mãe com Alzheimer, no período de 2010 a 2019, passando pelas quatro fases, detalhando as dificuldades e os acertos diante desta doença neuro degenerativa, que se tornou tão comum nos dias de hoje. Tenho como propósito informar e orientar outros que cuidam. Sou Psicóloga e tenho pós graduação em Gerontologia. Vocês me encontram nas redes sociais, basta digitar meu nome: Juana Llabres.
11 junho 2019
07 junho 2019
Título: Genética
Ninguém na nossa família tem ou teve Alzheimer, que eu saiba. Procurei me informar e a família, que mora na Espanha, desconhece. Bem.... Vovó, mãe de minha mãe, foi diagnosticada com Esclerose.
O que seria: as lesões nos nervos causam distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo. Essa doença, o sistema imunológico destrói a cobertura protetora dos nervos. Essa doença também não tem cura. É uma doença potencialmente debilitante.
Mas isso é outra doença.
Link: https://youtu.be/0ElDCtaAVPA
e https://youtu.be/oZB5iwmw9c8
Ninguém na nossa família tem ou teve Alzheimer, que eu saiba. Procurei me informar e a família, que mora na Espanha, desconhece. Bem.... Vovó, mãe de minha mãe, foi diagnosticada com Esclerose.
O que seria: as lesões nos nervos causam distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo. Essa doença, o sistema imunológico destrói a cobertura protetora dos nervos. Essa doença também não tem cura. É uma doença potencialmente debilitante.
Mas isso é outra doença.
Link: https://youtu.be/0ElDCtaAVPA
e https://youtu.be/oZB5iwmw9c8
Título: Tudo junto e misturado
Com o avanço do Alzheimer, as expressões mudam, mas ela reconhece meu amor.
Sempre tivermos uma forte sintonia e, bastava um olhar para saber o que ela queria. Isso desde que me lembro. A minha mãe sempre foi uma pessoa forte, não só de opiniões, mas também de carácter. Lembro-me dela estar sempre presente, nas reuniões de escola, nos trabalhos escolares (mesmo não sabendo tudo), nas brincadeiras e, principalmente quando eu ficava dodói. Por ser filha única fui muito mimada, não no sentido total da palavra, pois os puxões de orelha existiriam. Costumava sentar comigo em vez de bater ou colocar de castigo diante as minhas peraltices. Houve uma vez que quase apanhei mas,por total falta de esquecimento. Não dela, da minha vovó Catalina. Vou contar: morávamos em uma casa bem grande com quintal. Como sempre,destacamos em crise econômica e não se encontrava alimentos nas prateleiras e era necessário fazer fila para se conseguir comprar o básico. Carne nem pensar. Isso era anos setenta. Os mais velhos devem se lembrar dessa época. A solução encontrada foi montar um galinheiro nos fundos do quintal e fazer um segundo andar beirando os 3 cantos, colocando em forma de "U", colocando alí duas coelhas e um macho, que acabaram se multiplicando no passar do tempo. Durante a semana, tínhamos carne de galinha e aos domingos, de coelho. Foram três anos desse jeito.
Mas, voltando ao assunto da quase surra, minha avó limpava esse galinheiro de tarde com minha mãe. Uma tarde dessas, mamãe precisou sair e eu fiquei responsável em fechar a portinhola, com minha avó dentro e, depois de uns 30 ou 40 minutos, ir abrir. Só sei que acabei me envolvendo com a sessão da tarde e, só escutei os gritos da minha avó no final do filme. Lógico que não fui abrir a portinha porque ela estava me ameaçando me bater. Esperei mamãe chegar. O final da história vocês já podem imaginar. Mamãe abriu a porta e, apesar dos meus apelos vovó, veio correndo com o cinto pra me bater. Imagina a cena: eu na frente (desesperada), vovó gritando com o cinto na mão e minha mãe atrás para evitar o pior. O que me saltou foi o coelho que escapou quando a portinha foi aberta. Então, o fico mudou. Enquanto as duas corriam atrás do coelho, eu me escondia debaixo da cama. Fiquei lá até meu pai chegar. Ah! Não apanhei.
Com o avanço do Alzheimer, as expressões mudam, mas ela reconhece meu amor.
Sempre tivermos uma forte sintonia e, bastava um olhar para saber o que ela queria. Isso desde que me lembro. A minha mãe sempre foi uma pessoa forte, não só de opiniões, mas também de carácter. Lembro-me dela estar sempre presente, nas reuniões de escola, nos trabalhos escolares (mesmo não sabendo tudo), nas brincadeiras e, principalmente quando eu ficava dodói. Por ser filha única fui muito mimada, não no sentido total da palavra, pois os puxões de orelha existiriam. Costumava sentar comigo em vez de bater ou colocar de castigo diante as minhas peraltices. Houve uma vez que quase apanhei mas,por total falta de esquecimento. Não dela, da minha vovó Catalina. Vou contar: morávamos em uma casa bem grande com quintal. Como sempre,destacamos em crise econômica e não se encontrava alimentos nas prateleiras e era necessário fazer fila para se conseguir comprar o básico. Carne nem pensar. Isso era anos setenta. Os mais velhos devem se lembrar dessa época. A solução encontrada foi montar um galinheiro nos fundos do quintal e fazer um segundo andar beirando os 3 cantos, colocando em forma de "U", colocando alí duas coelhas e um macho, que acabaram se multiplicando no passar do tempo. Durante a semana, tínhamos carne de galinha e aos domingos, de coelho. Foram três anos desse jeito.
Mas, voltando ao assunto da quase surra, minha avó limpava esse galinheiro de tarde com minha mãe. Uma tarde dessas, mamãe precisou sair e eu fiquei responsável em fechar a portinhola, com minha avó dentro e, depois de uns 30 ou 40 minutos, ir abrir. Só sei que acabei me envolvendo com a sessão da tarde e, só escutei os gritos da minha avó no final do filme. Lógico que não fui abrir a portinha porque ela estava me ameaçando me bater. Esperei mamãe chegar. O final da história vocês já podem imaginar. Mamãe abriu a porta e, apesar dos meus apelos vovó, veio correndo com o cinto pra me bater. Imagina a cena: eu na frente (desesperada), vovó gritando com o cinto na mão e minha mãe atrás para evitar o pior. O que me saltou foi o coelho que escapou quando a portinha foi aberta. Então, o fico mudou. Enquanto as duas corriam atrás do coelho, eu me escondia debaixo da cama. Fiquei lá até meu pai chegar. Ah! Não apanhei.
06 junho 2019
Título: Aniversário dos 90 anos parte 02
Como estava contando no capítulo anterior, resolvi comemorar junto com ela, nossos aniversários. Chamamos algumas pessoas mais próximas e enchemos a casa de alegria. Ela demonstrou que gostou e ficou super feliz. Deu tudo certo.
Nos seus 91 anos, fizemos um bolo com poucos amigos: segue os links dos vídeos: Link: https://youtu.be/YBY1mzAioxg e https://youtu.be/cz0W51EJSU4
Como estava contando no capítulo anterior, resolvi comemorar junto com ela, nossos aniversários. Chamamos algumas pessoas mais próximas e enchemos a casa de alegria. Ela demonstrou que gostou e ficou super feliz. Deu tudo certo.
Nos seus 91 anos, fizemos um bolo com poucos amigos: segue os links dos vídeos: Link: https://youtu.be/YBY1mzAioxg e https://youtu.be/cz0W51EJSU4
Título: Aniversário dos 90 anos parte 01
Enquanto mamãe fazia fisioterapia a lazer com a equipe do DR. Paulo Monte, resolvemos fazer uma pequena surpresa para ela, com direito a bolo e refrigerante. As outras pacientes participaram e fizemos uma pequena bagunça. Ela gostou muito e, fiquei planejando para o dia 04 de março, pois período de carnaval, uma comemoração dupla. O dela é final de fevereiro e o meu no inicio de março. Juntamos tudo e comemoramos.
Título: Grande decisão
Sempre desejei ter um filho ou filha mas, tudo ia adiando esse momento. Quando percebi, estava com mais de 50 anos e, a adoção seria o caminho certo a seguir. Não porque eu não podia ter filhos. Sim, eu podia ter tido. Mas, fui colocando empecilhos diante do trabalho, diante dos problemas que iam surgindo a cada ano, etc. Primeiro com a minha separação (divórcio), falecimento do meu pai, minha mãe doente, Alzheimer..... até que me dei conta que, se não fosse agora, não seria nunca. Corri atrás e dei entrada na papelada. Comecei a participar do grupo da adoção e um ano e meio depois, estava com o meu certificado. Todo esse processo foi compartilhado com minha mãe que ainda compreendia que um neto ou neta iria chegar em nossa família. Ela esperou com expectativa e, todas as vezes que eu saia, explicava que estava indo ao encontro do meu sonho. No dia 31 de outubro de 2017, as 14h, conheci David, no mesmo dia em que fui certificada. Meu nome estava no banco nacional da adoção e os telefonemas começaram. Foi rápido?! Não sei. Só sei que tudo tem haver com o perfil que você disponibiliza. O meu foi bem amplo: ambos os sexos, de 8 a 12 anos, independente de raça. David nasceu pra mim. Começamos a nos encontrar semanalmente por uma hora apenas, sob o controle da equipe e, no feriados eu podia leva-lo para passear. Fomos em vários lugares como a Quinta da Boa Vista, no Museo do Amanhã, no Aquário, tudo regado com muitas risadas, almoço e carinho. Nesses dias, eu ia busca-lo e o devolvia dentro do horário combinado. Esses passeio passaram a ser semanais, aos sábados até que no dia 08 de dezembro do mesmo ano, ele veio passar um final de semana. David foi preparado para conhecer a avó e foi muito bonito esse momento. Ele logo começou a chama-la de vovó, foi um carinho mutuo despertado instantaneamente.
Nesse mês de dezembro, David ficaria alguns dias, retornaria para o lar temporário e, perto das festas de final de ano, ele voltaria para nossa casa. O combinado era dele passar o Natal com a família acolhedora e o ano novo conosco. Mas acabou que ele veio no dia 08 e só retornou para buscar suas coisas, decidindo ficar. Eu era a sua mãe agora.
Mas, tudo isso é apenas para registrar esse momento. Pois a adoção é outra história.
Sempre desejei ter um filho ou filha mas, tudo ia adiando esse momento. Quando percebi, estava com mais de 50 anos e, a adoção seria o caminho certo a seguir. Não porque eu não podia ter filhos. Sim, eu podia ter tido. Mas, fui colocando empecilhos diante do trabalho, diante dos problemas que iam surgindo a cada ano, etc. Primeiro com a minha separação (divórcio), falecimento do meu pai, minha mãe doente, Alzheimer..... até que me dei conta que, se não fosse agora, não seria nunca. Corri atrás e dei entrada na papelada. Comecei a participar do grupo da adoção e um ano e meio depois, estava com o meu certificado. Todo esse processo foi compartilhado com minha mãe que ainda compreendia que um neto ou neta iria chegar em nossa família. Ela esperou com expectativa e, todas as vezes que eu saia, explicava que estava indo ao encontro do meu sonho. No dia 31 de outubro de 2017, as 14h, conheci David, no mesmo dia em que fui certificada. Meu nome estava no banco nacional da adoção e os telefonemas começaram. Foi rápido?! Não sei. Só sei que tudo tem haver com o perfil que você disponibiliza. O meu foi bem amplo: ambos os sexos, de 8 a 12 anos, independente de raça. David nasceu pra mim. Começamos a nos encontrar semanalmente por uma hora apenas, sob o controle da equipe e, no feriados eu podia leva-lo para passear. Fomos em vários lugares como a Quinta da Boa Vista, no Museo do Amanhã, no Aquário, tudo regado com muitas risadas, almoço e carinho. Nesses dias, eu ia busca-lo e o devolvia dentro do horário combinado. Esses passeio passaram a ser semanais, aos sábados até que no dia 08 de dezembro do mesmo ano, ele veio passar um final de semana. David foi preparado para conhecer a avó e foi muito bonito esse momento. Ele logo começou a chama-la de vovó, foi um carinho mutuo despertado instantaneamente.
Nesse mês de dezembro, David ficaria alguns dias, retornaria para o lar temporário e, perto das festas de final de ano, ele voltaria para nossa casa. O combinado era dele passar o Natal com a família acolhedora e o ano novo conosco. Mas acabou que ele veio no dia 08 e só retornou para buscar suas coisas, decidindo ficar. Eu era a sua mãe agora.
Mas, tudo isso é apenas para registrar esse momento. Pois a adoção é outra história.
05 junho 2019
Título: Espanha
Meus pais vieram para o Brasil no final dos anos 50 (entre 1958 e 1959). Primeiro meu pai e nove meses depois, minha mãe. Ambos aprenderam a ler, escrever e a falar o nosso idioma. Meu pai, sempre trabalhou com calçados e, minha mãe o auxiliava no início desta vida profissional no Brasil.
Como não podia ter filhos, fez um tratamento que acabou dando resultado. Nasci em 1961.
Como não podia ter filhos, fez um tratamento que acabou dando resultado. Nasci em 1961.
Nesse período, ocorreram várias oportunidade deles viajarem a sua terra natal e a primeira, foi em 1964, antes do golpe militar. Como ele tinha sua pequena fábrica na rua das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, perto do Palácio do Catete, meu pai resolveu nos enviar a Espanha, antes que ocorresse problemas na região. Dito e feito, os boatos eram verdadeiros e logo em seguida, ocorreu o golpe. Minha mãe e eu estávamos em Mallorca, pertencente as Ilhas Baleares na Espanha. Ficamos na casa de minha avó materna durante seis meses. Eu tinha três anos de idade e, logicamente, não me lembro de nada. Apenas as poucos fotos que ficaram retratam esse período.
Depois disso, eles foram em 1981; 1988; 1990; 1995; 1996 e 1998. Fui em todas, menos a de 1995.
Em todos esse passeios sempre ficamos nas casas dos parentes que sempre nos receberam muito bem e eles tiveram a oportunidade de me mostrar todos os encantos deste lugar, que considero meu lar também.
1981
Depois disso, eles foram em 1981; 1988; 1990; 1995; 1996 e 1998. Fui em todas, menos a de 1995.
Em todos esse passeios sempre ficamos nas casas dos parentes que sempre nos receberam muito bem e eles tiveram a oportunidade de me mostrar todos os encantos deste lugar, que considero meu lar também.
1981
Título: A farmácia
Bem essa história vocês já viram no YouTube. mas vale a pena contar.
Mamãe sempre foi muito independente sempre gostava de sair para fazer suas compras, seja de mercado, padaria ou farmácia. Mesmo me oferecendo para ir seu luga, pois tinha que sair de qualquer maneira para resolver alumas coisas. A resposta era sempre não, não precisava de nada.
Eu já desconfiava que ela saia logo após de mim e deixei os porteiros orientados para me avisarem quando isso acontecia. Na maioria das vezes ela ia a farmácia comprar um medicamento livre para ajudar o intestino, que sempre foi preso e era uma das suas maiores preocupações nessa época. Chegava a usar um calendário para marcar o dia que teria que usar esse remédio para ir ao banheiro. Essas marcações a confundiam e ficava, as vezes, horas, marcando e remarcando, sinais nítidos do Alzheimer. Mas, nessa época, nem desconfiava.
Lembro-me bem da última vez em que ela saiu sozinha a farmácia, usava muleta para auxiliar nesse caminhar e o diagnóstico ainda não tinha chegado. Ao passar pela portaria, fui informada, como sempre, que minha mãe tinha saído logo depois de mim e voltara muito estranha.
Ao entrar em casa, a encontrei chorando e tremendo muito a tal ponto que tive que ajuda-la a se sentar e lhe dei um copo com água. Entre fortes soluços, contou que uma mulher tinha tentado assalta-la e a jogara em frente de um carro.
Como assim, mãe?
A estória tinha muitos detalhes e quanto mais eu perguntava, mais assustadora ficava.
Ela tinha saído para ir a farmácia pois esquecera de me pedir pra comprar o remédio dela, mesmo tendo celular na época, não lembrou de usar.
Passou pela banca de jornal e, ao atravessa a rua, cuja farmácia fica em frente, uma senhora, de uns 40 anos, bem vestida, colocou a mão sob o seu relógio e a empurrou, fazendo-a cair na faixa quando um carro freio bem em cima dela. Várias pessoas a socorreram e começaram a xinga a tal senhora que saiu correndo sem levar o seu relógio.
Nesse primeiro momento acreditei e a abracei quando ela me afirmou que esse seria a última vez que sairia a rua sozinha. No dia seguinte, fui em busca da verdade, pois achei muito estranho a mulher tentar roubar um relógio, estando ela com bolsa numa das mãos e a muleta na outra.
Na banca de jornais, o Sr. Francisco não tinha visto nada e nem ouvido nenhuma freada ou tumulto.
Na farmácia, o rapaz que sempre a atende, estava na porta no momento e me contou o que realmente aconteceu.
"Sua mãe estava parada na calçada aguardando o sinal fechar e, quando foi descer o degrau, uma mulher tentou ajuda-la, segurando seu braço esquerdo, pois ela estava com a muleta do lado direito. Nem sei direito o que aconteceu, só vi sua mãe no chão e um monte de gente tentando levanta-la. O sinal estava fechado e os carros parados. Fui até ela e a ajudei a entrar na farmácia, colocando-a sentada num banquinho." E concluiu: "Você não deveria deixar sua mãe sair sozinha, pois ela poderia ter se machucado".
Bem essa história vocês já viram no YouTube. mas vale a pena contar.
Mamãe sempre foi muito independente sempre gostava de sair para fazer suas compras, seja de mercado, padaria ou farmácia. Mesmo me oferecendo para ir seu luga, pois tinha que sair de qualquer maneira para resolver alumas coisas. A resposta era sempre não, não precisava de nada.
Eu já desconfiava que ela saia logo após de mim e deixei os porteiros orientados para me avisarem quando isso acontecia. Na maioria das vezes ela ia a farmácia comprar um medicamento livre para ajudar o intestino, que sempre foi preso e era uma das suas maiores preocupações nessa época. Chegava a usar um calendário para marcar o dia que teria que usar esse remédio para ir ao banheiro. Essas marcações a confundiam e ficava, as vezes, horas, marcando e remarcando, sinais nítidos do Alzheimer. Mas, nessa época, nem desconfiava.
Lembro-me bem da última vez em que ela saiu sozinha a farmácia, usava muleta para auxiliar nesse caminhar e o diagnóstico ainda não tinha chegado. Ao passar pela portaria, fui informada, como sempre, que minha mãe tinha saído logo depois de mim e voltara muito estranha.
Ao entrar em casa, a encontrei chorando e tremendo muito a tal ponto que tive que ajuda-la a se sentar e lhe dei um copo com água. Entre fortes soluços, contou que uma mulher tinha tentado assalta-la e a jogara em frente de um carro.
Como assim, mãe?
A estória tinha muitos detalhes e quanto mais eu perguntava, mais assustadora ficava.
Ela tinha saído para ir a farmácia pois esquecera de me pedir pra comprar o remédio dela, mesmo tendo celular na época, não lembrou de usar.
Passou pela banca de jornal e, ao atravessa a rua, cuja farmácia fica em frente, uma senhora, de uns 40 anos, bem vestida, colocou a mão sob o seu relógio e a empurrou, fazendo-a cair na faixa quando um carro freio bem em cima dela. Várias pessoas a socorreram e começaram a xinga a tal senhora que saiu correndo sem levar o seu relógio.
Nesse primeiro momento acreditei e a abracei quando ela me afirmou que esse seria a última vez que sairia a rua sozinha. No dia seguinte, fui em busca da verdade, pois achei muito estranho a mulher tentar roubar um relógio, estando ela com bolsa numa das mãos e a muleta na outra.
Na banca de jornais, o Sr. Francisco não tinha visto nada e nem ouvido nenhuma freada ou tumulto.
Na farmácia, o rapaz que sempre a atende, estava na porta no momento e me contou o que realmente aconteceu.
"Sua mãe estava parada na calçada aguardando o sinal fechar e, quando foi descer o degrau, uma mulher tentou ajuda-la, segurando seu braço esquerdo, pois ela estava com a muleta do lado direito. Nem sei direito o que aconteceu, só vi sua mãe no chão e um monte de gente tentando levanta-la. O sinal estava fechado e os carros parados. Fui até ela e a ajudei a entrar na farmácia, colocando-a sentada num banquinho." E concluiu: "Você não deveria deixar sua mãe sair sozinha, pois ela poderia ter se machucado".
04 junho 2019
Título: Coisas do Alzheimer
Em 11 de novembro de 2016, Angela chega em casa e, como sempre, a primeira pessoa que ela vai cumprimentar é minha mãe. Desta vez, foi surpreendida por ela, pois assim que viu a bolsa em seu ombro foi logo perguntando: "O que você está fazendo com a minha bolsa?"
OPS!
Lógico que a primeira resposta foi que a bolsa não era dela mas, nessas situações aprendemos que não adianta discutir ou negar algo que para eles está bem claro. "Você pegou minha bolsa sem autorização." Eta espanhola brava!
Angela já tem o seu jeito de lidar com mamãe e entrou na pilha e entregou a bolsa pra ela, que logo foi aberta e começou a vasculhar. Separou o dinheiro e pós no bolso do vestido e ficou olhando cada objeto que tirava, espalhando pela mesinha o guarda chuva e os remédios, que prontamente Angela pegou num momento de distração dela e, outros objetos pois na poltrona ao lado. Saciada a curiosidade, acabou largando a bolsa. Minutos depois, com a bolsa recuperada, Angela aprendeu que, quando chegar em casa, deixar bolsa, casaco, guarda chuva na cozinha e depois sim, ir falar com ela. Pois também teve uma outra vez, que ela "perdeu" o casaco pra mamãe na hora de ir embora. Só no dia seguinte o recuperou.
"Pode ir tirando esse casaco que ele é meu".
Angela retrucou, mas faz frio no trem e vou precisar dele. Você me empresta? "Não".
E agora?
Em 11 de novembro de 2016, Angela chega em casa e, como sempre, a primeira pessoa que ela vai cumprimentar é minha mãe. Desta vez, foi surpreendida por ela, pois assim que viu a bolsa em seu ombro foi logo perguntando: "O que você está fazendo com a minha bolsa?"
OPS!
Lógico que a primeira resposta foi que a bolsa não era dela mas, nessas situações aprendemos que não adianta discutir ou negar algo que para eles está bem claro. "Você pegou minha bolsa sem autorização." Eta espanhola brava!
Angela já tem o seu jeito de lidar com mamãe e entrou na pilha e entregou a bolsa pra ela, que logo foi aberta e começou a vasculhar. Separou o dinheiro e pós no bolso do vestido e ficou olhando cada objeto que tirava, espalhando pela mesinha o guarda chuva e os remédios, que prontamente Angela pegou num momento de distração dela e, outros objetos pois na poltrona ao lado. Saciada a curiosidade, acabou largando a bolsa. Minutos depois, com a bolsa recuperada, Angela aprendeu que, quando chegar em casa, deixar bolsa, casaco, guarda chuva na cozinha e depois sim, ir falar com ela. Pois também teve uma outra vez, que ela "perdeu" o casaco pra mamãe na hora de ir embora. Só no dia seguinte o recuperou.
"Pode ir tirando esse casaco que ele é meu".
Angela retrucou, mas faz frio no trem e vou precisar dele. Você me empresta? "Não".
E agora?
Título: Amigas no Alzheimer
No início do diagnostico, entrei num grupo na rede social sobre Alzheimer. Muita gente na mesma situação em que eu estava passando. Descobri que não estava sozinha. Uns com uma visão mais tranquila e outros, nossa! Muita reclamação, dor e sofrimento. O cuidador doente emocionalmente, estressado, praguejando, relatando fatos como se sua mãe ou pai o fizesse de proposito. Nessa página, conheci a Claudia. Percebemos que, nos tínhamos uma visão diferente do que estávamos lendo e, acabamos saindo do grupo, cada um no seu tempo. Mas, uma amizade já estava sendo formada e na troca de mensagens acabamos fortalecendo. Amigas no Alzheimer. Houve uma emergência com sua mãe, Dna Francisquinha, na necessidade de um medicamento que ela não tinha e que a consulta na Rede SARA seria daqui um ou dois meses. Eu tinha. Minha mãe já não usava mais e também tinha receitas. Problema resolvido. Nos conhecemos pessoalmente nesse dia e a amizade continuou fluindo.
Sua página no Youtube começou a ter uma boa aceitação, com a Dna Francisquinha a frente, mostrando a todos como deve ser tratar uma pessoa com Alzheimer, com paciência, respeito, amor e dedicação. Logo depois, comecei a postar os meus vídeos também.
Nos encontramos novamente em outras ocasiões. Nos 90 anos de vida da minha mãe, quando resolvi dar uma festa em casa e mais duas vezes, na casa dela, para gravarmos um vídeo para o canal O BOM DO ALZHEIMER.
Claudia é uma boa amiga que, arruma tempo para me dar atenção. Trocamos idéias e conversamos sobre vários assuntos.

Quac.
Piu.
Título: Aceitação
Não sei bem em que momento eu aceitei a doença de minha mãe. Só sei que mudei totalmente de atitude.
Parece fácil? Não é.
Eu falava que tinha aceitado, mas não era verdade.
Lembro-me de um dia ter trocado minha mãe após o banho e a colocado na cama para por a fralda.
Ela fez xixi. Eu tinha apenas me virado para abrir a fralda, pois já tenho o hábito de deixar tudo separado antes de dar o banho e, lá estava o xixi saindo.
Molhou tudo e tive que troca-la de novo. Trocar os lençóis. Tudo.
Fiquei muito brava.
Brava mesmo.
Não disse nada. Fiz o que tinha que ser feito e a coloquei na poltrona, na sala de estar, diante a TV e fui pra área de serviço levar toda a muda de roupa que tinha acabado de trocar.
Me vi chorando.
As lágrimas caiam silenciosamente.
Fui tomada das lembranças dela andando, falando, cantando (sim, ela cantava e dançava muito), passeando comigo, fazendo o almoço (nunca mais irei comer dessa comida, pois tinha um talento na cozinha de dar água na boca). Nunca mais minha mãe será a mesma mulher de antes. Quando percebi, estava soluçando alto e abraçada a Angela que, ao me ver chorando, veio ao meu encontro. Isso foi em 2016, um ano e meio depois de ter sido diagnosticada oficialmente, já na fase intermediária.
Doeu muito. Quem já sentiu a angustia no peito, arrebentando, te derrubando, sabe bem do que estou falando. Coloquei tudo pra fora. Uma catarse em forma de choro.
Voltei pra sala e a vida continuou, um dia após o outro, sem pensar no amanhã e de como será.
Após aceitar, minha vida mudou. Mudou pra melhor e passei a compreender essa doença, a entender minha mãe e, o principal, a reconhecer quando é ela quem fala ou quem fala é o Alzheimer. Comecei a pesquisar. Entrei em alguns novos grupo na rede social e sai de outros que me deixavam pra baixo. Comecei novas amizade e conheci uma pessoa maravilhosa que hoje é minha amiga: Claudia, filha de Dna Francisquina do Canal do Youtube O Bom do Alzheimer. Como isso aconteceu? Isso é assunto para outro capítulo.
Não sei bem em que momento eu aceitei a doença de minha mãe. Só sei que mudei totalmente de atitude.
Parece fácil? Não é.
Eu falava que tinha aceitado, mas não era verdade.
Lembro-me de um dia ter trocado minha mãe após o banho e a colocado na cama para por a fralda.
Ela fez xixi. Eu tinha apenas me virado para abrir a fralda, pois já tenho o hábito de deixar tudo separado antes de dar o banho e, lá estava o xixi saindo.
Molhou tudo e tive que troca-la de novo. Trocar os lençóis. Tudo.
Fiquei muito brava.
Brava mesmo.
Não disse nada. Fiz o que tinha que ser feito e a coloquei na poltrona, na sala de estar, diante a TV e fui pra área de serviço levar toda a muda de roupa que tinha acabado de trocar.
Me vi chorando.
As lágrimas caiam silenciosamente.
Fui tomada das lembranças dela andando, falando, cantando (sim, ela cantava e dançava muito), passeando comigo, fazendo o almoço (nunca mais irei comer dessa comida, pois tinha um talento na cozinha de dar água na boca). Nunca mais minha mãe será a mesma mulher de antes. Quando percebi, estava soluçando alto e abraçada a Angela que, ao me ver chorando, veio ao meu encontro. Isso foi em 2016, um ano e meio depois de ter sido diagnosticada oficialmente, já na fase intermediária.
Doeu muito. Quem já sentiu a angustia no peito, arrebentando, te derrubando, sabe bem do que estou falando. Coloquei tudo pra fora. Uma catarse em forma de choro.
Voltei pra sala e a vida continuou, um dia após o outro, sem pensar no amanhã e de como será.
Após aceitar, minha vida mudou. Mudou pra melhor e passei a compreender essa doença, a entender minha mãe e, o principal, a reconhecer quando é ela quem fala ou quem fala é o Alzheimer. Comecei a pesquisar. Entrei em alguns novos grupo na rede social e sai de outros que me deixavam pra baixo. Comecei novas amizade e conheci uma pessoa maravilhosa que hoje é minha amiga: Claudia, filha de Dna Francisquina do Canal do Youtube O Bom do Alzheimer. Como isso aconteceu? Isso é assunto para outro capítulo.
Título: Revisão do Blog e voltar a escrever
Muita coisa aconteceu durante este período em que parei de escreve no Blog. Nem sei dizer o porque parei. Simplesmente esqueci dele e fiquei me dedicando a rotina diária de cuidar da minha mãe e, foi nessa época, que comecei a gravar as sessões de fisioterapia diante a recuperação dela pós cirúrgico.

O canal no Youtube começou a crescer (Juana Llabrés, Minha mãe tem Alzheimer) e o meu tempo ficou dividido entre o cuidar, trabalhar em casa e a manutenção do canal.
O ano ainda era o de 2017. Paralelo a tudo isso, tomei uma das maiores decisões da minha vida. A de ser mãe. Entrei no processo de adoção.
Muita coisa aconteceu durante este período em que parei de escreve no Blog. Nem sei dizer o porque parei. Simplesmente esqueci dele e fiquei me dedicando a rotina diária de cuidar da minha mãe e, foi nessa época, que comecei a gravar as sessões de fisioterapia diante a recuperação dela pós cirúrgico.

O canal no Youtube começou a crescer (Juana Llabrés, Minha mãe tem Alzheimer) e o meu tempo ficou dividido entre o cuidar, trabalhar em casa e a manutenção do canal.
O ano ainda era o de 2017. Paralelo a tudo isso, tomei uma das maiores decisões da minha vida. A de ser mãe. Entrei no processo de adoção.
Título: Tratamento com Laser e inicio da Fisioterapia
A levei ao Dr. Paulo Monte que tem consultório perto de nossa casa e ele recomendou, antes de iniciar a fisioterapia, um tratamento com laser para ajudar na cicatrização. A levei duas vezes por semana durante um mês e, paralelamente, após 15 dias de inicio com o laser, ela começou a fisioterapia com a Rosana, em casa, para recuperar os movimentos do braço.
A levei ao Dr. Paulo Monte que tem consultório perto de nossa casa e ele recomendou, antes de iniciar a fisioterapia, um tratamento com laser para ajudar na cicatrização. A levei duas vezes por semana durante um mês e, paralelamente, após 15 dias de inicio com o laser, ela começou a fisioterapia com a Rosana, em casa, para recuperar os movimentos do braço.
07 junho 2018
Título: O Tratamento
Durante o período de recuperação, foi necessário ir ao hospital fazer a troca da tala para observar os pontos. A médica sempre nos recebeu muito bem e procurou dar sempre prioridade a minha mãe no atendimento. O geso foi retirado e pude fotografar, como também me permitiu ver o raio X pós cirúrgico. É uma coisa assustadora. Vejo a coragem desta mulher que, ao cair, não gritou, passou por uma cirurgia de risco e iria começar a fisioterapia. Tenho muito orgulho de ser sua filha.
Ela recebeu duas placas, sete parafusos e um arame para juntar todas as pecinhas do cotovelo.
Durante o período de recuperação, foi necessário ir ao hospital fazer a troca da tala para observar os pontos. A médica sempre nos recebeu muito bem e procurou dar sempre prioridade a minha mãe no atendimento. O geso foi retirado e pude fotografar, como também me permitiu ver o raio X pós cirúrgico. É uma coisa assustadora. Vejo a coragem desta mulher que, ao cair, não gritou, passou por uma cirurgia de risco e iria começar a fisioterapia. Tenho muito orgulho de ser sua filha.
Ela recebeu duas placas, sete parafusos e um arame para juntar todas as pecinhas do cotovelo.
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