Título: Grande decisão
Sempre desejei ter um filho ou filha mas, tudo ia adiando esse momento. Quando percebi, estava com mais de 50 anos e, a adoção seria o caminho certo a seguir. Não porque eu não podia ter filhos. Sim, eu podia ter tido. Mas, fui colocando empecilhos diante do trabalho, diante dos problemas que iam surgindo a cada ano, etc. Primeiro com a minha separação (divórcio), falecimento do meu pai, minha mãe doente, Alzheimer..... até que me dei conta que, se não fosse agora, não seria nunca. Corri atrás e dei entrada na papelada. Comecei a participar do grupo da adoção e um ano e meio depois, estava com o meu certificado. Todo esse processo foi compartilhado com minha mãe que ainda compreendia que um neto ou neta iria chegar em nossa família. Ela esperou com expectativa e, todas as vezes que eu saia, explicava que estava indo ao encontro do meu sonho. No dia 31 de outubro de 2017, as 14h, conheci David, no mesmo dia em que fui certificada. Meu nome estava no banco nacional da adoção e os telefonemas começaram. Foi rápido?! Não sei. Só sei que tudo tem haver com o perfil que você disponibiliza. O meu foi bem amplo: ambos os sexos, de 8 a 12 anos, independente de raça. David nasceu pra mim. Começamos a nos encontrar semanalmente por uma hora apenas, sob o controle da equipe e, no feriados eu podia leva-lo para passear. Fomos em vários lugares como a Quinta da Boa Vista, no Museo do Amanhã, no Aquário, tudo regado com muitas risadas, almoço e carinho. Nesses dias, eu ia busca-lo e o devolvia dentro do horário combinado. Esses passeio passaram a ser semanais, aos sábados até que no dia 08 de dezembro do mesmo ano, ele veio passar um final de semana. David foi preparado para conhecer a avó e foi muito bonito esse momento. Ele logo começou a chama-la de vovó, foi um carinho mutuo despertado instantaneamente.
Nesse mês de dezembro, David ficaria alguns dias, retornaria para o lar temporário e, perto das festas de final de ano, ele voltaria para nossa casa. O combinado era dele passar o Natal com a família acolhedora e o ano novo conosco. Mas acabou que ele veio no dia 08 e só retornou para buscar suas coisas, decidindo ficar. Eu era a sua mãe agora.
Mas, tudo isso é apenas para registrar esse momento. Pois a adoção é outra história.
Contada pela filha que cuidou de sua mãe com Alzheimer, no período de 2010 a 2019, passando pelas quatro fases, detalhando as dificuldades e os acertos diante desta doença neuro degenerativa, que se tornou tão comum nos dias de hoje. Tenho como propósito informar e orientar outros que cuidam. Sou Psicóloga e tenho pós graduação em Gerontologia. Vocês me encontram nas redes sociais, basta digitar meu nome: Juana Llabres.
06 junho 2019
05 junho 2019
Título: Espanha
Meus pais vieram para o Brasil no final dos anos 50 (entre 1958 e 1959). Primeiro meu pai e nove meses depois, minha mãe. Ambos aprenderam a ler, escrever e a falar o nosso idioma. Meu pai, sempre trabalhou com calçados e, minha mãe o auxiliava no início desta vida profissional no Brasil.
Como não podia ter filhos, fez um tratamento que acabou dando resultado. Nasci em 1961.
Como não podia ter filhos, fez um tratamento que acabou dando resultado. Nasci em 1961.
Nesse período, ocorreram várias oportunidade deles viajarem a sua terra natal e a primeira, foi em 1964, antes do golpe militar. Como ele tinha sua pequena fábrica na rua das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, perto do Palácio do Catete, meu pai resolveu nos enviar a Espanha, antes que ocorresse problemas na região. Dito e feito, os boatos eram verdadeiros e logo em seguida, ocorreu o golpe. Minha mãe e eu estávamos em Mallorca, pertencente as Ilhas Baleares na Espanha. Ficamos na casa de minha avó materna durante seis meses. Eu tinha três anos de idade e, logicamente, não me lembro de nada. Apenas as poucos fotos que ficaram retratam esse período.
Depois disso, eles foram em 1981; 1988; 1990; 1995; 1996 e 1998. Fui em todas, menos a de 1995.
Em todos esse passeios sempre ficamos nas casas dos parentes que sempre nos receberam muito bem e eles tiveram a oportunidade de me mostrar todos os encantos deste lugar, que considero meu lar também.
1981
Depois disso, eles foram em 1981; 1988; 1990; 1995; 1996 e 1998. Fui em todas, menos a de 1995.
Em todos esse passeios sempre ficamos nas casas dos parentes que sempre nos receberam muito bem e eles tiveram a oportunidade de me mostrar todos os encantos deste lugar, que considero meu lar também.
1981
Título: A farmácia
Bem essa história vocês já viram no YouTube. mas vale a pena contar.
Mamãe sempre foi muito independente sempre gostava de sair para fazer suas compras, seja de mercado, padaria ou farmácia. Mesmo me oferecendo para ir seu luga, pois tinha que sair de qualquer maneira para resolver alumas coisas. A resposta era sempre não, não precisava de nada.
Eu já desconfiava que ela saia logo após de mim e deixei os porteiros orientados para me avisarem quando isso acontecia. Na maioria das vezes ela ia a farmácia comprar um medicamento livre para ajudar o intestino, que sempre foi preso e era uma das suas maiores preocupações nessa época. Chegava a usar um calendário para marcar o dia que teria que usar esse remédio para ir ao banheiro. Essas marcações a confundiam e ficava, as vezes, horas, marcando e remarcando, sinais nítidos do Alzheimer. Mas, nessa época, nem desconfiava.
Lembro-me bem da última vez em que ela saiu sozinha a farmácia, usava muleta para auxiliar nesse caminhar e o diagnóstico ainda não tinha chegado. Ao passar pela portaria, fui informada, como sempre, que minha mãe tinha saído logo depois de mim e voltara muito estranha.
Ao entrar em casa, a encontrei chorando e tremendo muito a tal ponto que tive que ajuda-la a se sentar e lhe dei um copo com água. Entre fortes soluços, contou que uma mulher tinha tentado assalta-la e a jogara em frente de um carro.
Como assim, mãe?
A estória tinha muitos detalhes e quanto mais eu perguntava, mais assustadora ficava.
Ela tinha saído para ir a farmácia pois esquecera de me pedir pra comprar o remédio dela, mesmo tendo celular na época, não lembrou de usar.
Passou pela banca de jornal e, ao atravessa a rua, cuja farmácia fica em frente, uma senhora, de uns 40 anos, bem vestida, colocou a mão sob o seu relógio e a empurrou, fazendo-a cair na faixa quando um carro freio bem em cima dela. Várias pessoas a socorreram e começaram a xinga a tal senhora que saiu correndo sem levar o seu relógio.
Nesse primeiro momento acreditei e a abracei quando ela me afirmou que esse seria a última vez que sairia a rua sozinha. No dia seguinte, fui em busca da verdade, pois achei muito estranho a mulher tentar roubar um relógio, estando ela com bolsa numa das mãos e a muleta na outra.
Na banca de jornais, o Sr. Francisco não tinha visto nada e nem ouvido nenhuma freada ou tumulto.
Na farmácia, o rapaz que sempre a atende, estava na porta no momento e me contou o que realmente aconteceu.
"Sua mãe estava parada na calçada aguardando o sinal fechar e, quando foi descer o degrau, uma mulher tentou ajuda-la, segurando seu braço esquerdo, pois ela estava com a muleta do lado direito. Nem sei direito o que aconteceu, só vi sua mãe no chão e um monte de gente tentando levanta-la. O sinal estava fechado e os carros parados. Fui até ela e a ajudei a entrar na farmácia, colocando-a sentada num banquinho." E concluiu: "Você não deveria deixar sua mãe sair sozinha, pois ela poderia ter se machucado".
Bem essa história vocês já viram no YouTube. mas vale a pena contar.
Mamãe sempre foi muito independente sempre gostava de sair para fazer suas compras, seja de mercado, padaria ou farmácia. Mesmo me oferecendo para ir seu luga, pois tinha que sair de qualquer maneira para resolver alumas coisas. A resposta era sempre não, não precisava de nada.
Eu já desconfiava que ela saia logo após de mim e deixei os porteiros orientados para me avisarem quando isso acontecia. Na maioria das vezes ela ia a farmácia comprar um medicamento livre para ajudar o intestino, que sempre foi preso e era uma das suas maiores preocupações nessa época. Chegava a usar um calendário para marcar o dia que teria que usar esse remédio para ir ao banheiro. Essas marcações a confundiam e ficava, as vezes, horas, marcando e remarcando, sinais nítidos do Alzheimer. Mas, nessa época, nem desconfiava.
Lembro-me bem da última vez em que ela saiu sozinha a farmácia, usava muleta para auxiliar nesse caminhar e o diagnóstico ainda não tinha chegado. Ao passar pela portaria, fui informada, como sempre, que minha mãe tinha saído logo depois de mim e voltara muito estranha.
Ao entrar em casa, a encontrei chorando e tremendo muito a tal ponto que tive que ajuda-la a se sentar e lhe dei um copo com água. Entre fortes soluços, contou que uma mulher tinha tentado assalta-la e a jogara em frente de um carro.
Como assim, mãe?
A estória tinha muitos detalhes e quanto mais eu perguntava, mais assustadora ficava.
Ela tinha saído para ir a farmácia pois esquecera de me pedir pra comprar o remédio dela, mesmo tendo celular na época, não lembrou de usar.
Passou pela banca de jornal e, ao atravessa a rua, cuja farmácia fica em frente, uma senhora, de uns 40 anos, bem vestida, colocou a mão sob o seu relógio e a empurrou, fazendo-a cair na faixa quando um carro freio bem em cima dela. Várias pessoas a socorreram e começaram a xinga a tal senhora que saiu correndo sem levar o seu relógio.
Nesse primeiro momento acreditei e a abracei quando ela me afirmou que esse seria a última vez que sairia a rua sozinha. No dia seguinte, fui em busca da verdade, pois achei muito estranho a mulher tentar roubar um relógio, estando ela com bolsa numa das mãos e a muleta na outra.
Na banca de jornais, o Sr. Francisco não tinha visto nada e nem ouvido nenhuma freada ou tumulto.
Na farmácia, o rapaz que sempre a atende, estava na porta no momento e me contou o que realmente aconteceu.
"Sua mãe estava parada na calçada aguardando o sinal fechar e, quando foi descer o degrau, uma mulher tentou ajuda-la, segurando seu braço esquerdo, pois ela estava com a muleta do lado direito. Nem sei direito o que aconteceu, só vi sua mãe no chão e um monte de gente tentando levanta-la. O sinal estava fechado e os carros parados. Fui até ela e a ajudei a entrar na farmácia, colocando-a sentada num banquinho." E concluiu: "Você não deveria deixar sua mãe sair sozinha, pois ela poderia ter se machucado".
04 junho 2019
Título: Coisas do Alzheimer
Em 11 de novembro de 2016, Angela chega em casa e, como sempre, a primeira pessoa que ela vai cumprimentar é minha mãe. Desta vez, foi surpreendida por ela, pois assim que viu a bolsa em seu ombro foi logo perguntando: "O que você está fazendo com a minha bolsa?"
OPS!
Lógico que a primeira resposta foi que a bolsa não era dela mas, nessas situações aprendemos que não adianta discutir ou negar algo que para eles está bem claro. "Você pegou minha bolsa sem autorização." Eta espanhola brava!
Angela já tem o seu jeito de lidar com mamãe e entrou na pilha e entregou a bolsa pra ela, que logo foi aberta e começou a vasculhar. Separou o dinheiro e pós no bolso do vestido e ficou olhando cada objeto que tirava, espalhando pela mesinha o guarda chuva e os remédios, que prontamente Angela pegou num momento de distração dela e, outros objetos pois na poltrona ao lado. Saciada a curiosidade, acabou largando a bolsa. Minutos depois, com a bolsa recuperada, Angela aprendeu que, quando chegar em casa, deixar bolsa, casaco, guarda chuva na cozinha e depois sim, ir falar com ela. Pois também teve uma outra vez, que ela "perdeu" o casaco pra mamãe na hora de ir embora. Só no dia seguinte o recuperou.
"Pode ir tirando esse casaco que ele é meu".
Angela retrucou, mas faz frio no trem e vou precisar dele. Você me empresta? "Não".
E agora?
Em 11 de novembro de 2016, Angela chega em casa e, como sempre, a primeira pessoa que ela vai cumprimentar é minha mãe. Desta vez, foi surpreendida por ela, pois assim que viu a bolsa em seu ombro foi logo perguntando: "O que você está fazendo com a minha bolsa?"
OPS!
Lógico que a primeira resposta foi que a bolsa não era dela mas, nessas situações aprendemos que não adianta discutir ou negar algo que para eles está bem claro. "Você pegou minha bolsa sem autorização." Eta espanhola brava!
Angela já tem o seu jeito de lidar com mamãe e entrou na pilha e entregou a bolsa pra ela, que logo foi aberta e começou a vasculhar. Separou o dinheiro e pós no bolso do vestido e ficou olhando cada objeto que tirava, espalhando pela mesinha o guarda chuva e os remédios, que prontamente Angela pegou num momento de distração dela e, outros objetos pois na poltrona ao lado. Saciada a curiosidade, acabou largando a bolsa. Minutos depois, com a bolsa recuperada, Angela aprendeu que, quando chegar em casa, deixar bolsa, casaco, guarda chuva na cozinha e depois sim, ir falar com ela. Pois também teve uma outra vez, que ela "perdeu" o casaco pra mamãe na hora de ir embora. Só no dia seguinte o recuperou.
"Pode ir tirando esse casaco que ele é meu".
Angela retrucou, mas faz frio no trem e vou precisar dele. Você me empresta? "Não".
E agora?
Título: Amigas no Alzheimer
No início do diagnostico, entrei num grupo na rede social sobre Alzheimer. Muita gente na mesma situação em que eu estava passando. Descobri que não estava sozinha. Uns com uma visão mais tranquila e outros, nossa! Muita reclamação, dor e sofrimento. O cuidador doente emocionalmente, estressado, praguejando, relatando fatos como se sua mãe ou pai o fizesse de proposito. Nessa página, conheci a Claudia. Percebemos que, nos tínhamos uma visão diferente do que estávamos lendo e, acabamos saindo do grupo, cada um no seu tempo. Mas, uma amizade já estava sendo formada e na troca de mensagens acabamos fortalecendo. Amigas no Alzheimer. Houve uma emergência com sua mãe, Dna Francisquinha, na necessidade de um medicamento que ela não tinha e que a consulta na Rede SARA seria daqui um ou dois meses. Eu tinha. Minha mãe já não usava mais e também tinha receitas. Problema resolvido. Nos conhecemos pessoalmente nesse dia e a amizade continuou fluindo.
Sua página no Youtube começou a ter uma boa aceitação, com a Dna Francisquinha a frente, mostrando a todos como deve ser tratar uma pessoa com Alzheimer, com paciência, respeito, amor e dedicação. Logo depois, comecei a postar os meus vídeos também.
Nos encontramos novamente em outras ocasiões. Nos 90 anos de vida da minha mãe, quando resolvi dar uma festa em casa e mais duas vezes, na casa dela, para gravarmos um vídeo para o canal O BOM DO ALZHEIMER.
Claudia é uma boa amiga que, arruma tempo para me dar atenção. Trocamos idéias e conversamos sobre vários assuntos.

Quac.
Piu.
Título: Aceitação
Não sei bem em que momento eu aceitei a doença de minha mãe. Só sei que mudei totalmente de atitude.
Parece fácil? Não é.
Eu falava que tinha aceitado, mas não era verdade.
Lembro-me de um dia ter trocado minha mãe após o banho e a colocado na cama para por a fralda.
Ela fez xixi. Eu tinha apenas me virado para abrir a fralda, pois já tenho o hábito de deixar tudo separado antes de dar o banho e, lá estava o xixi saindo.
Molhou tudo e tive que troca-la de novo. Trocar os lençóis. Tudo.
Fiquei muito brava.
Brava mesmo.
Não disse nada. Fiz o que tinha que ser feito e a coloquei na poltrona, na sala de estar, diante a TV e fui pra área de serviço levar toda a muda de roupa que tinha acabado de trocar.
Me vi chorando.
As lágrimas caiam silenciosamente.
Fui tomada das lembranças dela andando, falando, cantando (sim, ela cantava e dançava muito), passeando comigo, fazendo o almoço (nunca mais irei comer dessa comida, pois tinha um talento na cozinha de dar água na boca). Nunca mais minha mãe será a mesma mulher de antes. Quando percebi, estava soluçando alto e abraçada a Angela que, ao me ver chorando, veio ao meu encontro. Isso foi em 2016, um ano e meio depois de ter sido diagnosticada oficialmente, já na fase intermediária.
Doeu muito. Quem já sentiu a angustia no peito, arrebentando, te derrubando, sabe bem do que estou falando. Coloquei tudo pra fora. Uma catarse em forma de choro.
Voltei pra sala e a vida continuou, um dia após o outro, sem pensar no amanhã e de como será.
Após aceitar, minha vida mudou. Mudou pra melhor e passei a compreender essa doença, a entender minha mãe e, o principal, a reconhecer quando é ela quem fala ou quem fala é o Alzheimer. Comecei a pesquisar. Entrei em alguns novos grupo na rede social e sai de outros que me deixavam pra baixo. Comecei novas amizade e conheci uma pessoa maravilhosa que hoje é minha amiga: Claudia, filha de Dna Francisquina do Canal do Youtube O Bom do Alzheimer. Como isso aconteceu? Isso é assunto para outro capítulo.
Não sei bem em que momento eu aceitei a doença de minha mãe. Só sei que mudei totalmente de atitude.
Parece fácil? Não é.
Eu falava que tinha aceitado, mas não era verdade.
Lembro-me de um dia ter trocado minha mãe após o banho e a colocado na cama para por a fralda.
Ela fez xixi. Eu tinha apenas me virado para abrir a fralda, pois já tenho o hábito de deixar tudo separado antes de dar o banho e, lá estava o xixi saindo.
Molhou tudo e tive que troca-la de novo. Trocar os lençóis. Tudo.
Fiquei muito brava.
Brava mesmo.
Não disse nada. Fiz o que tinha que ser feito e a coloquei na poltrona, na sala de estar, diante a TV e fui pra área de serviço levar toda a muda de roupa que tinha acabado de trocar.
Me vi chorando.
As lágrimas caiam silenciosamente.
Fui tomada das lembranças dela andando, falando, cantando (sim, ela cantava e dançava muito), passeando comigo, fazendo o almoço (nunca mais irei comer dessa comida, pois tinha um talento na cozinha de dar água na boca). Nunca mais minha mãe será a mesma mulher de antes. Quando percebi, estava soluçando alto e abraçada a Angela que, ao me ver chorando, veio ao meu encontro. Isso foi em 2016, um ano e meio depois de ter sido diagnosticada oficialmente, já na fase intermediária.
Doeu muito. Quem já sentiu a angustia no peito, arrebentando, te derrubando, sabe bem do que estou falando. Coloquei tudo pra fora. Uma catarse em forma de choro.
Voltei pra sala e a vida continuou, um dia após o outro, sem pensar no amanhã e de como será.
Após aceitar, minha vida mudou. Mudou pra melhor e passei a compreender essa doença, a entender minha mãe e, o principal, a reconhecer quando é ela quem fala ou quem fala é o Alzheimer. Comecei a pesquisar. Entrei em alguns novos grupo na rede social e sai de outros que me deixavam pra baixo. Comecei novas amizade e conheci uma pessoa maravilhosa que hoje é minha amiga: Claudia, filha de Dna Francisquina do Canal do Youtube O Bom do Alzheimer. Como isso aconteceu? Isso é assunto para outro capítulo.
Título: Revisão do Blog e voltar a escrever
Muita coisa aconteceu durante este período em que parei de escreve no Blog. Nem sei dizer o porque parei. Simplesmente esqueci dele e fiquei me dedicando a rotina diária de cuidar da minha mãe e, foi nessa época, que comecei a gravar as sessões de fisioterapia diante a recuperação dela pós cirúrgico.

O canal no Youtube começou a crescer (Juana Llabrés, Minha mãe tem Alzheimer) e o meu tempo ficou dividido entre o cuidar, trabalhar em casa e a manutenção do canal.
O ano ainda era o de 2017. Paralelo a tudo isso, tomei uma das maiores decisões da minha vida. A de ser mãe. Entrei no processo de adoção.
Muita coisa aconteceu durante este período em que parei de escreve no Blog. Nem sei dizer o porque parei. Simplesmente esqueci dele e fiquei me dedicando a rotina diária de cuidar da minha mãe e, foi nessa época, que comecei a gravar as sessões de fisioterapia diante a recuperação dela pós cirúrgico.

O canal no Youtube começou a crescer (Juana Llabrés, Minha mãe tem Alzheimer) e o meu tempo ficou dividido entre o cuidar, trabalhar em casa e a manutenção do canal.
O ano ainda era o de 2017. Paralelo a tudo isso, tomei uma das maiores decisões da minha vida. A de ser mãe. Entrei no processo de adoção.
Título: Tratamento com Laser e inicio da Fisioterapia
A levei ao Dr. Paulo Monte que tem consultório perto de nossa casa e ele recomendou, antes de iniciar a fisioterapia, um tratamento com laser para ajudar na cicatrização. A levei duas vezes por semana durante um mês e, paralelamente, após 15 dias de inicio com o laser, ela começou a fisioterapia com a Rosana, em casa, para recuperar os movimentos do braço.
A levei ao Dr. Paulo Monte que tem consultório perto de nossa casa e ele recomendou, antes de iniciar a fisioterapia, um tratamento com laser para ajudar na cicatrização. A levei duas vezes por semana durante um mês e, paralelamente, após 15 dias de inicio com o laser, ela começou a fisioterapia com a Rosana, em casa, para recuperar os movimentos do braço.
07 junho 2018
Título: O Tratamento
Durante o período de recuperação, foi necessário ir ao hospital fazer a troca da tala para observar os pontos. A médica sempre nos recebeu muito bem e procurou dar sempre prioridade a minha mãe no atendimento. O geso foi retirado e pude fotografar, como também me permitiu ver o raio X pós cirúrgico. É uma coisa assustadora. Vejo a coragem desta mulher que, ao cair, não gritou, passou por uma cirurgia de risco e iria começar a fisioterapia. Tenho muito orgulho de ser sua filha.
Ela recebeu duas placas, sete parafusos e um arame para juntar todas as pecinhas do cotovelo.
Durante o período de recuperação, foi necessário ir ao hospital fazer a troca da tala para observar os pontos. A médica sempre nos recebeu muito bem e procurou dar sempre prioridade a minha mãe no atendimento. O geso foi retirado e pude fotografar, como também me permitiu ver o raio X pós cirúrgico. É uma coisa assustadora. Vejo a coragem desta mulher que, ao cair, não gritou, passou por uma cirurgia de risco e iria começar a fisioterapia. Tenho muito orgulho de ser sua filha.
Ela recebeu duas placas, sete parafusos e um arame para juntar todas as pecinhas do cotovelo.
01 abril 2017
Título: Mês de Janeiro, calor e tala no braço.
Primeiros dias com muita dor e medicação. Depois, o calor e a coceira. Então, o DESESPERO, querendo arrancar tudo. Muitas horas de vigilância para isso não acontecer.
Até o ursinho dela quebrou o bracinho também. Foi a única maneira que encontrei para ela não tirar a tala antes do tempo. Ela cuidava dele e ele cuidava dela.
Título: Quarta, dia 04 de janeiro.
A noite foi tranquila e o amanhecer melhor ainda. Mamãe dormiu bem e, as 7h da manhã, vieram tirar sangue para exames. Tomou seu café com avides e foi limpa pela equipe de enfermagem. As 9h veio um dos médicos cirurgião e deu alta. Vamos pra casa! Uhuuuuuuuuuu.
E começou a espera da alta, do maqueiro, que nos levou a outra médica, que mandou tirar o geso cirúrgico e colocar outro.
Depois, a espera do taxi e, finalmente.....
.... pra casa.
Angela nos recebeu em casa, com o quarto todo limpo e arrumado. Durante esse período, tinha feito a compra de um ar condicionado para o quarto e o serralheiro estava terminando de fazer a sua instalação. Agora sim, ela teria um quarto fresco nesse verão angustiante.
E eu, fui atras da medicação receitada, do almoço e depois, arriei cansada.
Não quero passar por isso de novo. Mas, se for preciso.... eu estarei sempre ao seu lado.
A noite foi tranquila e o amanhecer melhor ainda. Mamãe dormiu bem e, as 7h da manhã, vieram tirar sangue para exames. Tomou seu café com avides e foi limpa pela equipe de enfermagem. As 9h veio um dos médicos cirurgião e deu alta. Vamos pra casa! Uhuuuuuuuuuu.
E começou a espera da alta, do maqueiro, que nos levou a outra médica, que mandou tirar o geso cirúrgico e colocar outro.
Depois, a espera do taxi e, finalmente.....
.... pra casa.
Angela nos recebeu em casa, com o quarto todo limpo e arrumado. Durante esse período, tinha feito a compra de um ar condicionado para o quarto e o serralheiro estava terminando de fazer a sua instalação. Agora sim, ela teria um quarto fresco nesse verão angustiante.
E eu, fui atras da medicação receitada, do almoço e depois, arriei cansada.
Não quero passar por isso de novo. Mas, se for preciso.... eu estarei sempre ao seu lado.
Título: De volta para o quarto.
As 11 horas eu já estava de mala e cuia no CTI aguardando a sua libração. Tinha apenas que esperar a equipe médica passar e conversar comigo. Tudo igualzinho aos seriados americanos. Nunca vi um CTI tão bem organizado, com alas separadas, tipo quartos, com TV e tudo mais.
Fui informada, que ela passou bem a noite e todos os dados médicos possíveis. Eu só entendi que ela teria alta do CTI e voltaria para o quarto.
Foram horas de espera.
Horas intermináveis.
Muito frio
Cansada e com fome. Não quis descer e lanchar para não perder a alta e demorar mais um pouco por causa disso. E lá fiquei. Fiquei observando os outros pacientes e seus familiares, de visita. Cada caso com sua gravidade. Fiquei observando a maneira que esses pacientes são tratados e, fiquei muito satisfeita. Só não estava gostando da demora em ir para o quarto, que precisava ser liberado e limpo antes disso.
E conseguimos ser transferidas para o quarto, depois das 16 horas.
E foi uma festa. As enfermeiras a recebem e tudo ficou bem.
Fomos jantar e nos preparar para mais uma noite no hospital.
As 11 horas eu já estava de mala e cuia no CTI aguardando a sua libração. Tinha apenas que esperar a equipe médica passar e conversar comigo. Tudo igualzinho aos seriados americanos. Nunca vi um CTI tão bem organizado, com alas separadas, tipo quartos, com TV e tudo mais.
Fui informada, que ela passou bem a noite e todos os dados médicos possíveis. Eu só entendi que ela teria alta do CTI e voltaria para o quarto.
Foram horas de espera.
Horas intermináveis.
Muito frio
Cansada e com fome. Não quis descer e lanchar para não perder a alta e demorar mais um pouco por causa disso. E lá fiquei. Fiquei observando os outros pacientes e seus familiares, de visita. Cada caso com sua gravidade. Fiquei observando a maneira que esses pacientes são tratados e, fiquei muito satisfeita. Só não estava gostando da demora em ir para o quarto, que precisava ser liberado e limpo antes disso.
E conseguimos ser transferidas para o quarto, depois das 16 horas.
E foi uma festa. As enfermeiras a recebem e tudo ficou bem.
Fomos jantar e nos preparar para mais uma noite no hospital.
Título: CTI.
Mamãe é forte. Seu coração aguentou bem. Não precisou de transfusão de sangue e, apesar do risco 3, os médicos ficaram bem surpresos. Eu não. Eu já sabia que tudo daria certo.
Não pude ficar muito tempo com ela.Só alguns minutos que consegui transformar em meia hora. Fui pra casa, levar a mochila com as coisinhas dela, tomar um banho, pegar a Angela, almoçar na esquina e voltar, as 14 h para o CTI, ambas de casaco, com um sol de 40 graus.
Mamãe é forte. Seu coração aguentou bem. Não precisou de transfusão de sangue e, apesar do risco 3, os médicos ficaram bem surpresos. Eu não. Eu já sabia que tudo daria certo.
Não pude ficar muito tempo com ela.Só alguns minutos que consegui transformar em meia hora. Fui pra casa, levar a mochila com as coisinhas dela, tomar um banho, pegar a Angela, almoçar na esquina e voltar, as 14 h para o CTI, ambas de casaco, com um sol de 40 graus.
A equipe médica passou e deu o quadro completo. Se mamãe passasse bem a noite, voltaria para o quarto amanhã. Ficamos até as 17hs.
Dormi na minha cama nesta noite, pensando nela.
Título: A cirurgia.
Finalmente chegou dia. Eu tremia e sorria ao mesmo tempo. Cheia de medos e expectativas. Mamãe tranquila, sorria também. Foi preparada pela equipe e o relógio começou a fazer tic tac. Qualquer ruído no corredor, me assombrava. A espera do maqueiro. O cara que irá levá-la para o centro cirúrgico.
O que se faz enquanto sua mãe é levada para o centro cirúrgico? No meu caso, acompanho até a onde permitem ir e retorno para o quarto. Tenho que arrumar tudo pois o quarto precisa ser liberado. Vou para a sala de espera do CTI e fico aguardando notícias. Mensagens de boa sorte e Fé repletam meu celular e isso me enche de esperança. Rezo e peço ao Bom Deus que me dê uma oportunidade de ficar com ela mais um tempo. Eu vou cuidar dela, prometo.
Não sei se é o nevrosismo ou o frio do andar, cujo ar condicionado deveria estar no mínimo, o queixo não para de bater e a vontade de ir ao banheiro, só aumentava. O banheiro é o único lugar quentinho do andar. Nem um café tem para aquecer. Ninguém para segurar minha mão. Vou alternando do medo a esperança, da ansiedade a segurança. Tudo vai dar certo. Já deu, diz meu coração. E ninguém aparece para dar notícia.
Passam duas horas e eu tremendo de frio.
Passa uma médica, ainda com a roupa da cirurgia e entra no CTI. Meu coração dispara.
Ela volta e pergunta se sou parente de Dna Apolonia. Simmmmmmmmmmmmmm.
"Correu tudo bem, ela vai ficar uma hora no centro cirúrgico para estabilizar e depois descer para o CTI, você poderá vê-la por alguns minutos". Essa foram as mais lindas palavras que ouvi nos últimos cinco anos.
Finalmente chegou dia. Eu tremia e sorria ao mesmo tempo. Cheia de medos e expectativas. Mamãe tranquila, sorria também. Foi preparada pela equipe e o relógio começou a fazer tic tac. Qualquer ruído no corredor, me assombrava. A espera do maqueiro. O cara que irá levá-la para o centro cirúrgico.
O que se faz enquanto sua mãe é levada para o centro cirúrgico? No meu caso, acompanho até a onde permitem ir e retorno para o quarto. Tenho que arrumar tudo pois o quarto precisa ser liberado. Vou para a sala de espera do CTI e fico aguardando notícias. Mensagens de boa sorte e Fé repletam meu celular e isso me enche de esperança. Rezo e peço ao Bom Deus que me dê uma oportunidade de ficar com ela mais um tempo. Eu vou cuidar dela, prometo.
Não sei se é o nevrosismo ou o frio do andar, cujo ar condicionado deveria estar no mínimo, o queixo não para de bater e a vontade de ir ao banheiro, só aumentava. O banheiro é o único lugar quentinho do andar. Nem um café tem para aquecer. Ninguém para segurar minha mão. Vou alternando do medo a esperança, da ansiedade a segurança. Tudo vai dar certo. Já deu, diz meu coração. E ninguém aparece para dar notícia.
Passam duas horas e eu tremendo de frio.
Passa uma médica, ainda com a roupa da cirurgia e entra no CTI. Meu coração dispara.
Ela volta e pergunta se sou parente de Dna Apolonia. Simmmmmmmmmmmmmm.
"Correu tudo bem, ela vai ficar uma hora no centro cirúrgico para estabilizar e depois descer para o CTI, você poderá vê-la por alguns minutos". Essa foram as mais lindas palavras que ouvi nos últimos cinco anos.
Título: Feliz Ano Novo de 2017.
Domingo, as 6h da manhã, tomo coragem e mando 3 mensagem por Zap perguntando quem poderia vir e ficar com minha mãe enquanto eu fosse em casa, alimentar os passarinhos e tomar um banho, trocar de roupa, etc.
Não demorou muito e a primeira resposta chegou: "Estou indo agora".
Confesso que chorei.
Não só veio em questões de minutos, como também me emprestou o carro para ir e voltar pra casa com segurança. Zulmira, só tenho que te agradecer por essa disponibilidade tamanha.
E o domingo seguiu seu curso, sem grandes novidades, apenas com a confirmação de que ela entraria em dieta zero, após o jantar, para a cirurgia no dia seguinte. O médico veio falar conosco e confirmou aquilo que já sabíamos, da existência de um alto risco na cirurgia, nível 3. O máximo é nível 4.
E na TV, o programa Domingão do Faustão.
E na minha cabeça.....
... um filme.
Não demorou muito e a primeira resposta chegou: "Estou indo agora".
Confesso que chorei.
Não só veio em questões de minutos, como também me emprestou o carro para ir e voltar pra casa com segurança. Zulmira, só tenho que te agradecer por essa disponibilidade tamanha.
E o domingo seguiu seu curso, sem grandes novidades, apenas com a confirmação de que ela entraria em dieta zero, após o jantar, para a cirurgia no dia seguinte. O médico veio falar conosco e confirmou aquilo que já sabíamos, da existência de um alto risco na cirurgia, nível 3. O máximo é nível 4.
E na TV, o programa Domingão do Faustão.
E na minha cabeça.....
... um filme.
Título: O dia seguinte depois de ontem.
Nunca o amanhecer foi tão desejado. E, junto, toda a movimentação na troca de equipe técnica. Café da manhã, banho e troca de lençóis. Novos exames e, finalmente, o médico.
Sábado, dia 31 de dezembro de 2016, com o médico a frente, informando que estava esperando a liberação da cirurgia e, das placas e parafusos que seriam colocados no braço da mamãe, ele me informa que o risco cirúrgico é alto e, que se ele pudesse, não faria a cirurgia. Mas, devido a situação, ele teria que operar. Estava aguardando também, que o resultado do ECO do coração fosse feito, para confirmar o dia da cirurgia que, dificilmente, seria no final de semana, sendo mais provável na segunda-feira, quando teria toda a equipe cirúrgica disponível. Confesso que sempre quia passar a noite do ano novo fora de casa, mas não deste jeito.
Mais uma vez, Angela nos socorreu, chegando antes do almoço, para me substituir por algumas horas, dando oportunidade de ir em casa. Aproveitei e tomei um banho frio, tomei café e arrumei meus passarinhos, que pareciam que estavam todos reclamando da demora do lanche deles.
Voltei a tempo de dar o almoço para mãe e liberar a Angela.
Num quarto de hospital, as horas não passam. Cada minutos parece ser uma eternidade. Ainda mais sendo o último dia do ano, tendo-se a dificuldade de encontrar alguém em casa disponível para me substituir por algumas poucas horas. Angela conseguiu me ajudar nesse momento.
A boa surpresa foi a visita da Lucinda, nossa amiga, que veio trazer um pouco de alegria nesse quarto e um presente para a mamãe. A gente não tem ideia como faz bem uma visita nesses momentos, até que se passa por isso. Geralmente pensamos que, não é bom incomodar, a pessoa precisa descansar, vai tirar a privacidade, etc. Então, deixo registrado que é tudo ficção. Se tiver oportunidade, vá visitar uma pessoa acamada. Faz um bem enorme.
E o dia seguiu até a festa do Reveillon...
Não ouviu um fogo de artifício, não escutei nenhum barulho de festa, não vi e não sei de nada. Dormimos. A noite toda, sendo apenas acordada nas vindas e idas da equipe hospitalar, que estavam monitorando minha mãe, que não acordou em nenhum momento.
Nunca o amanhecer foi tão desejado. E, junto, toda a movimentação na troca de equipe técnica. Café da manhã, banho e troca de lençóis. Novos exames e, finalmente, o médico.
Sábado, dia 31 de dezembro de 2016, com o médico a frente, informando que estava esperando a liberação da cirurgia e, das placas e parafusos que seriam colocados no braço da mamãe, ele me informa que o risco cirúrgico é alto e, que se ele pudesse, não faria a cirurgia. Mas, devido a situação, ele teria que operar. Estava aguardando também, que o resultado do ECO do coração fosse feito, para confirmar o dia da cirurgia que, dificilmente, seria no final de semana, sendo mais provável na segunda-feira, quando teria toda a equipe cirúrgica disponível. Confesso que sempre quia passar a noite do ano novo fora de casa, mas não deste jeito.
Mais uma vez, Angela nos socorreu, chegando antes do almoço, para me substituir por algumas horas, dando oportunidade de ir em casa. Aproveitei e tomei um banho frio, tomei café e arrumei meus passarinhos, que pareciam que estavam todos reclamando da demora do lanche deles.
Voltei a tempo de dar o almoço para mãe e liberar a Angela.
Num quarto de hospital, as horas não passam. Cada minutos parece ser uma eternidade. Ainda mais sendo o último dia do ano, tendo-se a dificuldade de encontrar alguém em casa disponível para me substituir por algumas poucas horas. Angela conseguiu me ajudar nesse momento.
A boa surpresa foi a visita da Lucinda, nossa amiga, que veio trazer um pouco de alegria nesse quarto e um presente para a mamãe. A gente não tem ideia como faz bem uma visita nesses momentos, até que se passa por isso. Geralmente pensamos que, não é bom incomodar, a pessoa precisa descansar, vai tirar a privacidade, etc. Então, deixo registrado que é tudo ficção. Se tiver oportunidade, vá visitar uma pessoa acamada. Faz um bem enorme.
E o dia seguiu até a festa do Reveillon...
Não ouviu um fogo de artifício, não escutei nenhum barulho de festa, não vi e não sei de nada. Dormimos. A noite toda, sendo apenas acordada nas vindas e idas da equipe hospitalar, que estavam monitorando minha mãe, que não acordou em nenhum momento.
Título: FINAL DE ANO 2016/2017
Muitas coisas aconteceram da virada do ano até esse momento.
Com o calor imenso de dezembro do ano passado, chegando a 40 graus com uma sensação térmica acima dos 45 graus, coloquei minha mãe para dormir na minha cama e eu ao seu lado, para que o ar condicionado fosse ligado. A primeira noite, deu turo certo. Ela dormiu bem e eu não. Afinal de contas dormir no chão não é uma das minhas tarefas prediletas.
Na segunda noite, madrugada do dia 30 de dezembro, as 4 horas da manhã, com minha mãe acordada, me levantei e fui ver o que ela queria. Disse que estava bem e se recusou ir ao banheiro ou trocar a fralda. Estava com muito sono ainda. Voltei a me deitar e não conseguia dormir pois, ela se remexia muito na cama, e o ruído da fralda com o protetor de colchão estava me indicando que algo não estava bem. Levantei-me e putz! Não sei como consegui chegar ao interruptor e, ao ascende a luz, percebi que ela estava no chão. Não deu um grito sequer, apenas gemia segurando o braço direito, na altura do cotovelo, que apresentou um inchaço imediato. Consegui coloca-la de volta na cama e pus gelo no local dolorido. O interrogatório começou e consegui entender o que havia acontecido. Minha mãe, apesar de sonolenta, resolveu ir ao banheiro e se levantou, segurando-se na cadeira de computador que tenho no quarto, com rodinhas. Logico que acabou perdendo o equilíbrio quando a cadeira deslizou e, o braço acabou virando por não ter largado a cadeira. Dor.
Nisso, as 4:30 da manhã, a deixei no quarto, com gelo e fui preparar o café, com a intenção de leva-la a emergência, pois acreditava que ela tinha se machucado mais seriamente do que no costume. Minha mãe se comportou com o uma verdadeira heroína. Não reclamava de nada e apenas aguardou. Fiz sua higiene e, com muita dificuldades, consegui leva-la ao banheiro. Nova queda. Desta vez ao tentar coloca-la sentada na cadeira de rodas. Por não ter forças no braço direito, sentou-se na pontinha da cadeira que, apresar de estar travada, não aguentou e putz!
Meu desespero era gritante e, fui em busca de ajuda. Creio que acordei a vizinha que, prontamente, veio me socorrer e, juntas, conseguimos coloca-la na cadeira de rodas.
Chegamos a emergência antes das 6h da manhã.
Duas horas depois, ainda aguardando o resultado do raio X, veio a médica e me informou que infelizmente minha mãe tinha esmigalhado o cotovelo e que precisaria ser internada para cirurgia. O choque foi tanto que não conseguia entender o prognóstico. Ou seja, seria internada para passar por uma cirurgia de reconstrução e, com um alto risco cirúrgico, por se tratar de pessoa idosa, 89 anos e, com diversos problemas de saúde.
Fomos encaminhadas para um box na emergência e, os exames pré operatórios começaram a ser feitos, enquanto aguardávamos a autorização do plano de saúde.
Não foi fácil segura minha mãe durante 12 horas, deitada numa cama, com o braço imobilizado, sem sua medicação diária do Alzheimer. Ela não conseguia assimilar que estava machucada e que tinha que ficar, apesar da dor.
O hospital nos recebeu e nos deu um atendimento de primeira linha, o problema estava na autorização do plano, que segue a risca toda uma burocracia, causando um atraso na internação. Quase véspera de ano novo e, nós duas, sem ter o que fazer para melhorar essa situação, apenas aguardar que terceiros resolvessem nossos problemas.
Finalmente, as 18 horas, Angela chegou ao hospital e me substituiu, para que eu pudesse ir em casa, separar algumas coisas necessárias para poder ficar com minha mãe durante todo o tempo de intermação. Fui e voltei em uma hora e meia. Nunca fui tão rápida em tomar banho, comer algo e preparar a mochila. Coloquei as Calopsitas pra dormirem e as cobri.
Conseguimos ir para o quarto após as 20h. rendidas e cansadas.
Lógico que tem todo aquele movimento de enfermeiras e equipe técnica em volta, preparando a mamãe para passar a noite, questionando sobre medicação e providenciando roupa de cama pra mim e um lanche para ela.
Quanto a sua medicação para dormir, só o médico poderia liberar, no dia seguinte. Passamos a noite em claro. E ela, não parou cinco minutos. E eu, GANHEI UM PAR DE OLHEIRAS.
Muitas coisas aconteceram da virada do ano até esse momento.
Com o calor imenso de dezembro do ano passado, chegando a 40 graus com uma sensação térmica acima dos 45 graus, coloquei minha mãe para dormir na minha cama e eu ao seu lado, para que o ar condicionado fosse ligado. A primeira noite, deu turo certo. Ela dormiu bem e eu não. Afinal de contas dormir no chão não é uma das minhas tarefas prediletas.
Na segunda noite, madrugada do dia 30 de dezembro, as 4 horas da manhã, com minha mãe acordada, me levantei e fui ver o que ela queria. Disse que estava bem e se recusou ir ao banheiro ou trocar a fralda. Estava com muito sono ainda. Voltei a me deitar e não conseguia dormir pois, ela se remexia muito na cama, e o ruído da fralda com o protetor de colchão estava me indicando que algo não estava bem. Levantei-me e putz! Não sei como consegui chegar ao interruptor e, ao ascende a luz, percebi que ela estava no chão. Não deu um grito sequer, apenas gemia segurando o braço direito, na altura do cotovelo, que apresentou um inchaço imediato. Consegui coloca-la de volta na cama e pus gelo no local dolorido. O interrogatório começou e consegui entender o que havia acontecido. Minha mãe, apesar de sonolenta, resolveu ir ao banheiro e se levantou, segurando-se na cadeira de computador que tenho no quarto, com rodinhas. Logico que acabou perdendo o equilíbrio quando a cadeira deslizou e, o braço acabou virando por não ter largado a cadeira. Dor.
Nisso, as 4:30 da manhã, a deixei no quarto, com gelo e fui preparar o café, com a intenção de leva-la a emergência, pois acreditava que ela tinha se machucado mais seriamente do que no costume. Minha mãe se comportou com o uma verdadeira heroína. Não reclamava de nada e apenas aguardou. Fiz sua higiene e, com muita dificuldades, consegui leva-la ao banheiro. Nova queda. Desta vez ao tentar coloca-la sentada na cadeira de rodas. Por não ter forças no braço direito, sentou-se na pontinha da cadeira que, apresar de estar travada, não aguentou e putz!
Meu desespero era gritante e, fui em busca de ajuda. Creio que acordei a vizinha que, prontamente, veio me socorrer e, juntas, conseguimos coloca-la na cadeira de rodas.
Chegamos a emergência antes das 6h da manhã.
Duas horas depois, ainda aguardando o resultado do raio X, veio a médica e me informou que infelizmente minha mãe tinha esmigalhado o cotovelo e que precisaria ser internada para cirurgia. O choque foi tanto que não conseguia entender o prognóstico. Ou seja, seria internada para passar por uma cirurgia de reconstrução e, com um alto risco cirúrgico, por se tratar de pessoa idosa, 89 anos e, com diversos problemas de saúde.
Fomos encaminhadas para um box na emergência e, os exames pré operatórios começaram a ser feitos, enquanto aguardávamos a autorização do plano de saúde.
Não foi fácil segura minha mãe durante 12 horas, deitada numa cama, com o braço imobilizado, sem sua medicação diária do Alzheimer. Ela não conseguia assimilar que estava machucada e que tinha que ficar, apesar da dor.
O hospital nos recebeu e nos deu um atendimento de primeira linha, o problema estava na autorização do plano, que segue a risca toda uma burocracia, causando um atraso na internação. Quase véspera de ano novo e, nós duas, sem ter o que fazer para melhorar essa situação, apenas aguardar que terceiros resolvessem nossos problemas.
Finalmente, as 18 horas, Angela chegou ao hospital e me substituiu, para que eu pudesse ir em casa, separar algumas coisas necessárias para poder ficar com minha mãe durante todo o tempo de intermação. Fui e voltei em uma hora e meia. Nunca fui tão rápida em tomar banho, comer algo e preparar a mochila. Coloquei as Calopsitas pra dormirem e as cobri.
Conseguimos ir para o quarto após as 20h. rendidas e cansadas.
Lógico que tem todo aquele movimento de enfermeiras e equipe técnica em volta, preparando a mamãe para passar a noite, questionando sobre medicação e providenciando roupa de cama pra mim e um lanche para ela.
Quanto a sua medicação para dormir, só o médico poderia liberar, no dia seguinte. Passamos a noite em claro. E ela, não parou cinco minutos. E eu, GANHEI UM PAR DE OLHEIRAS.
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